terça-feira, 2 de junho de 2015

Letras do cd Arca de Noé I e II.



Milton Nascimento & Chico Buarque


Sete em cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata.

O sol, ao véu transparente
Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata.

E abre-se a porta da arca.
Lentamente surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca

Vendo ao longe aquela serra
E as planícies tão verdinhas
Diz Noé: que boa terra
Para plantar as minhas vinhas.

Ora vai, na porta aberta
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante

E dentro de um buraco
De uma janela aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece

"Os bosques são todos meus"!
Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus"!
Um protesta, e o tigre "não"!

A arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Entre pulos da bicharada
Toda querendo sair.

Afinal com muito custo
Indo em fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais

Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida

E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.

Longe o arco-íris s esvai
E desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Erguem-se os astros em glória

Enchem o céu de caprichos.
Em meio à noite calada
Ouve-se a fala dos bichos
Na terra repovoada.



A Pulga
Bebel Gilberto

Um, dois, três
Quatro, cinco,seis
Com mais um pulinho
Estou na perna do freguês

Um, dois, três
Quatro, cinco,seis
Com mais uma mordidinha
coitadinho do freguês

Um, dois, três
Quatro, cinco,seis
Tô de barriguinha cheia

Tchau
Goodbye
Auf Wedersehen



O Relógio
Walter Franco

Passa, tempo
Tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda alegria
de fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Dia e noite
Noite e dia

Fábio Jr.

Sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Não há coisa no mundo
mais viva que uma porta

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro com cuidado
Pra passar o namorado
E abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
eu abro de supetão
Pra passar o capitão

Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Eu fecho tudo no mundo
Só vivo aberta no céu
 


MPB-4

Lá vem o pato
Pata aqui, pata acolá
Não vem o pato
para ver o que é que há.

O pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou no puleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo
Comeu um pedaço
De genipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi pra panela.
Alceu Valença

Quer ver a foca
Ficar feliz?
É por uma bola
No seu nariz

Quer ver a foca
Bater palminha?
É dar a ela
Uma sardinha

Quer ver a foca
Comprar uma briga?
É espetar ela
Bem na barriga

Lá vai a foca
Toda arrumada
Dançar no circo
Pra garotada

Lá vai a foca
Subindo a escada
Depois descendo
Desengonçada

Quando trabalha
A coitadinha
Pra garantir
Sua sardinha.


São Francisco
Ney Matogrosso

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
De pé descalço
Tão pobrezinho
Dormindo à noite
Junto ao moinho
Bebendo água
Do ribeirinho.

Lá vai São Francisco
De pé no chão
Levando nada
No seu surrão
Dizendo ao vento
Bom dia, amigo
Dizendo ao fogo
Saúde, irmão

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
Levando ao colo
Jesuscristinho
Fazendo festa
No menininho
Contando histórias
Para os passarinhos


A Aula de Piano
As Frenéticas & Martim Francisco

Depois do almoço na sala vazia
A mãe subia pra se recostar
E no passado que a sala escondia
Sua filhinha ficava a esperar
O professor de piano chegava
E começava uma nova lição
E a menina tão bonitinha
Enchia a casa feito um clarim
Abria o peito, mandava brasa
E solfejava assim

Ai, ai, ai
Lá, sol, fá, mi, ré
Tira a mão daí
Do, do, ré, do, si
Aqui não dá pé
Mi, mi, fá, mi, ré
E agora o sol, fa
Para lição acabar

Diz o refrão quem não chora não mama
Veio o sucesso e a consagração
No repertório e na execução
Que finalmente deitaram na fama
tendo atingido a total perfeição
Nunca se viu tanta variedade
A quatro mãos, em concertos de amor
Mas na verdade,tinham saudade
De quando ele era seu professor
E quando ela menina e bela
Abria o berrador
Ai, ai, ai
Lá, sol, fá, mi, ré


Menininha
Toquinho

Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha não cresça mais não
Fique pequinininha na minha canção
Senhorinha Levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão
Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim
Vai sofrer de repente
Na desilusão
Porque a vida é somente
Teu bicho-papão
Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
Também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei.
 
Elis Regina

Corujinha, corujinha
Que peninha de você
Fica toda encolhidinha
Sempre olhando, não sei que

O seu canto de repente
Faz a gente estremecer
Corujinha, corujinha
Todo mundo que te vê
Diz assim, ah! coitadinha
Que feinha que é você

Quando a noite vem chegando
Chega o teu amanhecer
E se o sol vem despontando
Vais voando te esconder

Hoje em dia andas vaidosa
Orgulhosa com quê
Toda noite tua carinha
Aparece na TV

Corujinha,corujinha
Que feinha que é você


As Abelhas
Moraes Moreira

A abelha mestra
e as abelhinhas
Tão todas prontinhas
Para ir para festa

Num zune-que-zune
Lá vão para o Jardim
Brincar com a cravina
Valsar com o jasmim
Da rosa para o cravo
Do cravo para a rosa
Da rosa para o cravo
E de volta para a rosa

Venham ver como dão mel ( 4 vezes )

As abelhas do céu.

A abelha ruim
está sempre cansada
Engorda a pancinha
E não faz mais nada

Num zune-que-zune
Lá vão para o Jardim
Brincar com a cravina
Valsar com o jasmim
Da rosa para o cravo
Do cravo para a rosa
Da rosa para o cravo
E de volta para a rosa

Venham ver como dão mel ( 4 vezes )

As abelhas do céu.


A Casa
Boca Livre

Era uma casa
Muito engraçada
Não tinha teto
Não tinha nada
Não se podia entrar nela não
Porque na casa não tinha chão
Ninguém podia
Dormir na rede
Porque na casa
Não tinha parede
Ninguém podia
Fazer Pipi
Porque penico
Não tinha ali
Mas era feita
Com muito esmero
Na rua dos bobos
Número Zero.


O Gato
Marina

Com um lindo salto
leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão

E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho

E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado

Se num novelo
Fica enroscado
Ouriça o pelo mal humorado
Um preguiçoso é o que ele é
E gosta muito de cafuné

Com um lindo salto
leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão

E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho

E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado

E quando à noite vem a fadiga
Toma seu banho
Passando a língua pela barriga.


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